Neto olha para o passado para projetar o futuro. A tragédia de 29 de novembro deu ao zagueiro holofotes que nunca teve nos quase dez anos desde a passagem pela base do Vasco até encontrar a Chapecoense. Neto, porém, é muito mais do que um sobrevivente – não à toa já era uma das referências do time campeão da Sul-Americana. Com expectativa de voltar aos gramados em julho – em previsão pessoal e não dos médicos -, o defensor listou para o GloboEsporte.com cinco momentos marcantes da carreira. Uma espécie de “De volta para o futuro” enquanto não mata a saudade de jogar futebol:

– Isso (relembrar) me estimula. Não vai ser no tempo que eu quero. Já está claro que fazemos planos e nem sempre as coisas acontecem como desejamos. Se pudesse, já tinha voltado. Tenho que ter paciência, tranquilidade e muita fé. Só de estar vivo e em condições de voltar a fazer o que amo, já fico tranquilo. Dia após dia estou melhor.

Golaço de bicicleta sobre o Vasco, vitória sobre a Ponte Preta com a camisa do Guarani em duelo batizado de dérbi do século, a predestinação nos confrontos com o Palmeiras (que sofreu três de seus oito gols na carreira), o empate heroico com o San Lorenzo pela Sul-Americana e até o pênalti perdido que decretou a perda do título paulista para o Santos são momentos que ajudaram a construir o Neto zagueiro. O Neto que conta as horas para voltar a vestir a camisa da Chapecoense. Relembre:

Guarani x Ponte Preta – Paulistão 2012

Neto chapecoense Guarani Ponte Preta (Foto: Rodrigo Villalba / Memory Press)Neto desarma atacante da Ponte Preta: classificação para final do Paulista contra rival (Rodrigo Villalba / Memory Press)

O Dérbi do Século –“Pegamos o Palmeiras nas quartas no segundo horário do dia e antes ia ter Ponte e Corinthians, no Pacaembu. Acreditávamos que íamos enfrentar o Corinthians, pela força que tem, vimos o jogo no vestiário e a Ponte venceu. Pela melhor campanha teríamos a chance de enfrentá-los em casa. Foi um jogo de arrepiar, inesquecível. Tenho o DVD até hoje. Saímos perdendo e achamos que o Vadão ia estar nervoso no intervalo, dar uma bronca. Ele estava tranquilo, acertou o time e fizemos um segundo tempo brilhante. Vencemos por 3 a 1 de virada. Para quem jogou e para o torcedor, ficou para história”.

Chapecoense x Vasco – Brasileirão 2015

Neto Chapecoense (Foto: Jardel da Costa / Estadão Conteúdo)Neto pedala para marcar um golaço na vitória por 1 a 0 sobre o Vasco, em 2015 (Jardel da Costa / Estadão Conteúdo)

Pedalada carioca –“Foi um dos pontos fortes da minha carreira. Por ser um clube grande, por eu ser do Rio, ter muitos amigos flamenguistas, vascaínos, tricolores e botafoguenses. Muitos amigos ficaram felizes. Foi um reconhecimento muito grande no Rio de Janeiro. Minha família comemorou muito pela minha ascensão na Chape. Era um clube candidato sério a rebaixamento no início e fez um campeonato muito bom. É um dos pontos altos da minha carreira”.

Chapecoense x San Lorenzo – Sul-Americana 2016

Neto Chapecoense Sul-Americana (Foto: Sirli Freitas / Chapecoense)Neto Chapecoense Sul-Americana (Foto: Sirli Freitas / Chapecoense)

O fã em campo –“É um jogo que ficou na minha mente. Não só pelo que aconteceu, mas por ser um time muito qualificado, que tinha o Coloccini. Cansei de vê-lo no Campeonato Inglês (pelo Newcastle), pela seleção, e deparar com aquele cara foi muito bom. A expectativa era grande dentro de mim para vencer e aconteceu. São momentos que ficam no coração e na memória”.

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Gols contra o Palmeiras

Neto Chapecoense (Foto: Divulgação / Chapecoense)Neto comemora o terceiro gol contra o Palmeiras, já pela Chapecoense, em 2015 (Foto: Divulgação / Chapecoense)

Carrasco verde –“É engraçado. Fiz o gol pelo Guarani, em 2012. Dois anos depois, já pelo Santos, o Bruno Perez, que também veio do Guarani, disse: “Lembro daquele gol e tem que sair um golzinho hoje”. Acabou que saiu (risos). Quando vim para cá, foi igual. O Palmeiras já tinha uma equipe que foi campeã na Copa do Brasil e conseguimos aplicar uma goleada (5 a 0) e, igual na Vila, abri o placar. É um clube que me traz um pouco de sorte. Todo jogador tem um clube que se destaca mais contra”.

Santos x Ituano – Paulistão 2014

Neto Chapecoense Santos (Foto: Ricardo Saibun / Divulgação Santos FC)Companheiros consolam Neto (2) após pênalti perdido na final contra Ituano (Ricardo Saibun / Divulgação Santos FC)

O erro que mudou a história –“Aquele pênalti foi algo muito ruim para minha família. Quem mais sofreu, foram meus pais, irmãos, minha esposa chorou muito. Dentro de mim, sabia que Deus estava no controle. Lembro que cheguei em casa e eles perguntavam o motivo de estar acontecendo isso comigo, que sou tão dedicado. Respondia que acontece com os melhores. Sabia que tinha algo preparado. Você vê toda tragédia que aconteceu e eu estou vivo. Já tinha a renovação de contrato bem encaminhada com o Santos e depois daquilo saí. Fui muito criticado, mas saí de cabeça erguida e feliz porque nunca joguei mal no Santos. Nunca tinha entregado um jogo”.